DATA

28 Maio 2021

HORA

21:30 – 22:30

LOCAL

Castelo | Trancoso

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"Auto da Barca do Inferno"

AS BARCAS DE GIL VICENTE NOS CASTELOS

Música original: Fernando Lapa

Encomenda do Centro Cultural de Belém para Dias da Música 2018

Adaptação de textos: Fernando Lapa e Sara Barros Leitão

Recriação: Mário João Alves e Ângela Marques

 

Ângela Marques, actriz

Mário João Alves, tenor e actor

Toy Ensemble

  • Ricardo Alves, clarinete e clarinete baixo
  • João Moreira, clarinete
  • Jed Barahal, violoncelo
  • Christina Margotto, piano
  • David Lloyd, viola e violino
  • Magna Ferreira, voz e percussão

Sinopse

OS AUTOS DAS BARCAS DE GIL VICENTE por Sara Barros Leitão

O enfoque particular desta proposta consiste na convocação da música para o território da cena, participando activamente no desenho de cada momento, assumindo-se como o veículo condutor do espectáculo. Deste modo, o texto, a palavra falada, os actores e o teatro surgem como intrusos, tornando-se elementos disruptivos da dramaturgia sonora: provocando-a e potenciando-a.

O presente desafio consiste em encontrar outros recursos que não os de um palco convencional, outras formas de exprimir as linhas de força do texto, o diálogo entre o verbo e a composição sonora, e o despojamento cénico de uma obra conhecida pela riqueza de adereços, pormenores e espaço visual. Se são normalmente os actores os condutores e principais protagonistas da acção, esta leitura desafia os músicos a assumirem o mesmo papel: tanto na intervenção cantada de algumas partes do texto, quanto e sobretudo no desenvolvimento musical de tudo o que amplia palavras ou movimentos. Aqui os instrumentistas também são actores, com diversas marcações no espaço de cena. Mas não serão menos actores, quando com os seus instrumentos ou vozes ampliam as ressonâncias de uma fala, ou quando permanecem na sombra, por detrás do texto, mantendo imperceptivelmente a cor de um momento ou a tensão de um ambiente.

É uma proposta que dilui hierarquias, não tratando nenhuma arte como menor, e que encontra um pretexto para abrir possibilidades e acepções de o que é concerto, o que é teatro, o que é música, e o que é palavra, provando que todos podem habitar o mesmo espaço, ou – neste caso – a mesma sala.

 

SOBRE O AUTO DA BARCA DO INFERNO

“Auto da Barca do Inferno” é o primeiro espectáculo deste tríptico também composto pelo “Auto da Barca do Purgatório” e pelo “Auto da Barca da Glória”. Terá sido apresentado pela primeira vez na corte, em 1571, sendo, talvez, a obra de Gil Vicente mais presente na nossa memória colectiva. Aqui terá lugar uma versão adaptada, em que texto e música se fundem no mais harmonioso canal de expressividade. Mais do que procurar a actualidade da obra, uma vez que é inevitável que esta actue em nós e no nosso tempo – não estivéssemos nós a falar de pecados e moralidade nas classes – queremos descobrir uma outra forma de a comunicar.

“Auto da Barca do Inferno” mostra o destino das almas num lugar de condenação ou de glória e apresenta uma grande quantidade e diversidade de personagens, sugerindo uma construção mais policromática e contrastada, a partir dos diferentes tipos que articula. E apesar de o viver de cada personagem ser simbolizado pelo (s)  objectos (s) que traz consigo, nesta proposta iremos levar isso ao limite, tornando os adereços nas próprias personagens e permitindo aos intérpretes poderem ser agentes de voz ou musicalidade que dá vida aos diferentes arquétipos.

“Auto da Barca do Inferno” é um espectáculo de um só fôlego, onde somos constantemente surpreendidos com a entrada de novas personagens, com argumentações, súplicas, acusações e condenações. É de um ritmo fervilhante e divertido, mas ao mesmo tempo acutilante e mordaz, como não podia deixar de ser.

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