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DATA

06 Julho 2021

HORA

21:30 – 22:30

LOCAL

Castelo | Figueira de Castelo Rodrigo

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"Auto da Barca do Purgatório"

AS BARCAS DE GIL VICENTE NOS CASTELOS

Música original: Fernando Lapa

Encomenda do Centro Cultural de Belém para Dias da Música 2018

Adaptação de textos: Fernando Lapa e Sara Barros Leitão

Recriação: Mário João Alves e Angela Marques

Ângela Marques, actriz

Mário João Alves, tenor e actor

Toy Ensemble

  • Ricardo Alves, clarinete e clarinete baixo
  • João Moreira, clarinete
  • Jed Barahal, violoncelo
  • Christina Margotto, piano
  • David Lloyd, viola e violino
  • Magna Ferreira, voz e percussão

Sinopse

OS AUTOS DAS BARCAS DE GIL VICENTE por Sara Barros Leitão

O enfoque particular desta proposta consiste na convocação da música para o território da cena, participando activamente no desenho de cada momento, assumindo-se como o veículo condutor do espectáculo. Deste modo, o texto, a palavra falada, os actores e o teatro surgem como intrusos, tornando-se elementos disruptivos da dramaturgia sonora: provocando-a e potenciando-a.

O presente desafio consiste em encontrar outros recursos que não os de um palco convencional, outras formas de exprimir as linhas de força do texto, o diálogo entre o verbo e a composição sonora, e o despojamento cénico de uma obra conhecida pela riqueza de adereços, pormenores e espaço visual. Se são normalmente os actores os condutores e principais protagonistas da acção, esta leitura desafia os músicos a assumirem o mesmo papel: tanto na intervenção cantada de algumas partes do texto, quanto e sobretudo no desenvolvimento musical de tudo o que amplia palavras ou movimentos. Aqui os instrumentistas também são actores, com diversas marcações no espaço de cena. Mas não serão menos actores, quando com os seus instrumentos ou vozes ampliam as ressonâncias de uma fala, ou quando permanecem na sombra, por detrás do texto, mantendo imperceptivelmente a cor de um momento ou a tensão de um ambiente.

É uma proposta que dilui hierarquias, não tratando nenhuma arte como menor, e que encontra um pretexto para abrir possibilidades e acepções de o que é concerto, o que é teatro, o que é música, e o que é palavra, provando que todos podem habitar o mesmo espaço, ou – neste caso – a mesma sala.

 

SOBRE O AUTO DA BARCA DO PURGATÓRIO

Purgatório retoma o motivo trabalhado em Inferno, mas constitui uma unidade autónoma. “São representações distintas de almas humanas, num conjunto que se vai formando: Purgatório conhece Inferno, Glória conhece Inferno e Purgatório”, como diz Cardeira Villalba.

Purgatório terá sido apresentado na capela de um Hospital, para que os doentes pudessem assistir ao auto, comportando, assim, a função didática de ser apresentado a quem está a sentir de perto a doença ou a morte. 1518 é o ano a que se atribui a primeira apresentação pública desta obra e é também o ano da peste em Lisboa, pelo que a actualidade da doença é tão pertinente que se imiscui discretamente no auto.

Purgatório é, simultaneamente, um espaço e um tempo, o tempo de espera num cais de embarque. É esperar e não embarcar. Os três autos com barcas passam-se no Purgatório, mas é em 1518 que este surge como uma instância nova, um destino (provisório) que não é o Paraíso nem o Inferno e para onde não há barca – há só ficar em cena na margem do rio, à espera de outro destino que há-de vir depois do fim do auto”, como escreve José Camões.

Assim, “O Auto da Barca do Purgatório” tem uma construção mais linear e alargada, sugerindo movimentos horizontais e sustentados, com alguns cirúrgicos pontos de contraste ou de ruptura. Esta dinâmica energética reflectir-se-á na proposta cénica e sonora, que, apesar de beber da mesma estética que acompanha o tríptico, torna a obra absolutamente distinta das demais”.

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